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      <pubDate>Tue, 18 Mar 2025 18:59:23 GMT</pubDate>
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      <title><![CDATA[A Crise da Masculinidade]]></title>
      <description><![CDATA[A figura do pai de família como antítese do homem moderno
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      <pubDate>Tue, 18 Mar 2025 18:59:23 GMT</pubDate>
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      <dc:creator><![CDATA[Tiago G]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>O que torna um homem um modelo a ser seguido ? Que qualidades pode apresentar um homem que demonstram as suas aspirações ?</p>
<p>Nos dias que correm a nobreza de carácter não parece ser o factor chave nas figuras que são mais celebradas pelo mundo inteiro. A nossa sociedade dá mais atenção ao indigente moral célebre pelas sacadas narcísicas do que ao guerreiro, ao santo, ao patriarca que dedicaram a sua vida a um propósito e aspirações manifestamente superiores.</p>
<p>É frequente vermos ser objeto de atenção o homem vaidoso, efeminado, narcísico e corrupto até. O facto de serem estas as referências que temos na cultura moderna diz muito da sociedade em que vivemos. É importante notar que nós somos como espelhos que refletem aquilo que reverenciamos, isto é, vamo-nos tornando mais parecidos com o objeto da nossa admiração. É nosso instinto tentar imitar aquilo que admiramos, portanto isto é um grave problema quando admiramos as coisas erradas.</p>
<p>Pode parecer contraintuitivo mas por vezes as coisas mais admiráveis na vida são na verdade as mais simples. Prestemos atenção ao que nos diz o auto G.K Chesterton a este propósito.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fadb537a2-9e9c-4e65-95cd-6d05cac89187_850x400.jpeg" alt="Gilbert K. Chesterton quote: The most extraordinary thing in the world is  an ordinary..."></p>
<p>Há algo de magnificamente sóbrio no pai de família que não procura atenção e se dedica exclusivamente ao seu dever. Esta figura é, por hora, demonizada tantas e tantas vezes, sendo frequentemente apresentado como sendo o mandatário de uma cultura misógina e machista.</p>
<p>Estou convencido que enquanto a figura de pai de família não for devidamente reabilitada, dificilmente teremos um ressurgimento de famílias propriamente ordenadas. É importante notar aqui um ponto, este pai de família deve ser alguém capaz de colocar os interesses da família primeiro que os seus interesses individuais. Deve ser alguém que não viva no relativismo moral, mas sim um homem de fé, algo que está em vias de extinção no ocidente e em particular em Portugal. Este homem deve ser o porto de abrigo para a sua família, alguém disposto a travar o bom combate, e será sempre portanto um defensor acérrimo da verdade. Não será naturalmente alguém obcecado com a sua própria imagem, mas sim um homem desejavelmente forte quer em termos físicos, tendo zelo na forma como se exercita, quer em termos mentais, sendo uma pessoa capaz mas com autocontrolo. Deve também ser um homem com uma vida intelectual, isto é, alguém que nutre interesse pelo legado que lhe foi confiado e procura aprender sobre o mesmo. Muitos homens antes de si fizeram sacrifícios para que o homem da atualidade usufrua dos mais variados benefícios.</p>
<p>A atualidade oferece-nos por vezes a promoção de algumas destas facetas, algo que seria desejável e bom, contudo com algumas distorções. Há homens fortes, capazes de feitos atléticos ímpares, que se cultivam nesse domínio mas pelas razões erradas. Por vezes o imperativo moral que os guia é a vaidade, sendo que esse trabalho físico que fazem conspira para consolidar o seu narcisismo.</p>
<p>Outros há com uma determinação inabalável, algo louvável quando usada para os fins próprios. Esta determinação não deve ser usada para a procura de grandes riquezas como um fim em si mesmas, nem como um isco usado para o oportunismo sexual com as mulheres.</p>
<p>Poderíamos também dar como exemplo, homens com uma prodigiosa inteligência mas que, não a tendo devidamente orientada, a usam para manipular e corromper o discurso público não olhando a meios para atingir os fins.</p>
<p>Um factor chave que dificulta a formação de mais homens com este tipo de espinha dorsal é uma certa apropriação da linguagem que tem existido no discurso público que procura rotular quem ousa desafiar este&nbsp;<em>status quo.</em>&nbsp;Termos como “negacionista”, “radical”, “fascista”, “fundamentalista”, “ultranacionalista” entre outros, são constantemente atirados remetendo o homem para uma falsa conclusão:</p>
<blockquote>
<p><strong>“ Tu não podes defender nada, nem ter certeza de nada”.</strong></p>
</blockquote>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F8d2e324f-f2f5-4ee5-b670-7cf8c4f147b6_562x368.png" alt=""></p>
<p>Outra ferramenta importante nesta desconstrução é o apelo ao vício. Sendo através da pornografia, da comida ultra-processada ou de uma vida de conforto , há claramente um incentivo ao hedonismo e à autoindulgência. Procura-se alimentar cada vez mais esta busca do prazer com o fim último, e por conseguinte a coragem, o sacrifício e o trabalho, como pedras angulares da construção do carácter do homem ficam para segundo plano.</p>
<p>O cavalheirismo ficou-se apenas pelas aparências. Por vezes, há um verniz de algumas das propriedades que descrevi em várias situações, contudo não passa de uma máscara. É fácil segurar uma porta para uma senhora e dizer “com licença”, “por favor”, para se mostrar alguém educado quando o custo para o fazer é mínimo. Difícil é estar disposto a fazer sacríficos em que nos doamos inteiramente pelos outros, no entanto é isso que é pedido ao homem. Doando-se encontrará o seu verdadeiro propósito.</p>
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      <itunes:author><![CDATA[Tiago G]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>O que torna um homem um modelo a ser seguido ? Que qualidades pode apresentar um homem que demonstram as suas aspirações ?</p>
<p>Nos dias que correm a nobreza de carácter não parece ser o factor chave nas figuras que são mais celebradas pelo mundo inteiro. A nossa sociedade dá mais atenção ao indigente moral célebre pelas sacadas narcísicas do que ao guerreiro, ao santo, ao patriarca que dedicaram a sua vida a um propósito e aspirações manifestamente superiores.</p>
<p>É frequente vermos ser objeto de atenção o homem vaidoso, efeminado, narcísico e corrupto até. O facto de serem estas as referências que temos na cultura moderna diz muito da sociedade em que vivemos. É importante notar que nós somos como espelhos que refletem aquilo que reverenciamos, isto é, vamo-nos tornando mais parecidos com o objeto da nossa admiração. É nosso instinto tentar imitar aquilo que admiramos, portanto isto é um grave problema quando admiramos as coisas erradas.</p>
<p>Pode parecer contraintuitivo mas por vezes as coisas mais admiráveis na vida são na verdade as mais simples. Prestemos atenção ao que nos diz o auto G.K Chesterton a este propósito.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fadb537a2-9e9c-4e65-95cd-6d05cac89187_850x400.jpeg" alt="Gilbert K. Chesterton quote: The most extraordinary thing in the world is  an ordinary..."></p>
<p>Há algo de magnificamente sóbrio no pai de família que não procura atenção e se dedica exclusivamente ao seu dever. Esta figura é, por hora, demonizada tantas e tantas vezes, sendo frequentemente apresentado como sendo o mandatário de uma cultura misógina e machista.</p>
<p>Estou convencido que enquanto a figura de pai de família não for devidamente reabilitada, dificilmente teremos um ressurgimento de famílias propriamente ordenadas. É importante notar aqui um ponto, este pai de família deve ser alguém capaz de colocar os interesses da família primeiro que os seus interesses individuais. Deve ser alguém que não viva no relativismo moral, mas sim um homem de fé, algo que está em vias de extinção no ocidente e em particular em Portugal. Este homem deve ser o porto de abrigo para a sua família, alguém disposto a travar o bom combate, e será sempre portanto um defensor acérrimo da verdade. Não será naturalmente alguém obcecado com a sua própria imagem, mas sim um homem desejavelmente forte quer em termos físicos, tendo zelo na forma como se exercita, quer em termos mentais, sendo uma pessoa capaz mas com autocontrolo. Deve também ser um homem com uma vida intelectual, isto é, alguém que nutre interesse pelo legado que lhe foi confiado e procura aprender sobre o mesmo. Muitos homens antes de si fizeram sacrifícios para que o homem da atualidade usufrua dos mais variados benefícios.</p>
<p>A atualidade oferece-nos por vezes a promoção de algumas destas facetas, algo que seria desejável e bom, contudo com algumas distorções. Há homens fortes, capazes de feitos atléticos ímpares, que se cultivam nesse domínio mas pelas razões erradas. Por vezes o imperativo moral que os guia é a vaidade, sendo que esse trabalho físico que fazem conspira para consolidar o seu narcisismo.</p>
<p>Outros há com uma determinação inabalável, algo louvável quando usada para os fins próprios. Esta determinação não deve ser usada para a procura de grandes riquezas como um fim em si mesmas, nem como um isco usado para o oportunismo sexual com as mulheres.</p>
<p>Poderíamos também dar como exemplo, homens com uma prodigiosa inteligência mas que, não a tendo devidamente orientada, a usam para manipular e corromper o discurso público não olhando a meios para atingir os fins.</p>
<p>Um factor chave que dificulta a formação de mais homens com este tipo de espinha dorsal é uma certa apropriação da linguagem que tem existido no discurso público que procura rotular quem ousa desafiar este&nbsp;<em>status quo.</em>&nbsp;Termos como “negacionista”, “radical”, “fascista”, “fundamentalista”, “ultranacionalista” entre outros, são constantemente atirados remetendo o homem para uma falsa conclusão:</p>
<blockquote>
<p><strong>“ Tu não podes defender nada, nem ter certeza de nada”.</strong></p>
</blockquote>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F8d2e324f-f2f5-4ee5-b670-7cf8c4f147b6_562x368.png" alt=""></p>
<p>Outra ferramenta importante nesta desconstrução é o apelo ao vício. Sendo através da pornografia, da comida ultra-processada ou de uma vida de conforto , há claramente um incentivo ao hedonismo e à autoindulgência. Procura-se alimentar cada vez mais esta busca do prazer com o fim último, e por conseguinte a coragem, o sacrifício e o trabalho, como pedras angulares da construção do carácter do homem ficam para segundo plano.</p>
<p>O cavalheirismo ficou-se apenas pelas aparências. Por vezes, há um verniz de algumas das propriedades que descrevi em várias situações, contudo não passa de uma máscara. É fácil segurar uma porta para uma senhora e dizer “com licença”, “por favor”, para se mostrar alguém educado quando o custo para o fazer é mínimo. Difícil é estar disposto a fazer sacríficos em que nos doamos inteiramente pelos outros, no entanto é isso que é pedido ao homem. Doando-se encontrará o seu verdadeiro propósito.</p>
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      <title><![CDATA[As Coisas e os Seus Fins]]></title>
      <description><![CDATA[As quatro causas de Aristóteles e o exame à essência das coisas.
]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[As quatro causas de Aristóteles e o exame à essência das coisas.
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      <pubDate>Wed, 05 Mar 2025 11:04:28 GMT</pubDate>
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      <dc:creator><![CDATA[Tiago G]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Segundo a filosofia Aristotélica quando analisamos uma coisa seja ela um objecto ou um fenómeno devemos ser capazes de observar as suas causas. Podemos dizer que analisar as causas nos permite compreender com outra densidade, a origem, o significado e a finalidade das coisas.</p>
<p>Atualmente, estamos vetados a um reducionismo materialista quando fazemos ciência, sendo portanto nota dominante a nossa fixação na matéria como o fator primordial do conhecimento dos objetos. Ao fixarmo-nos neste aspeto perdemos muitas outras dimensões que compõe as coisas.</p>
<p>Atendamos então a Aristóteles e a quatro causas que este autor identifica para as coisas e fenómenos.</p>
<p>Segundo o filósofo grego as causas dividem-se entre: materiais (relativas ao que algo é feito), as formais (relativas ao que algo é), as eficientes/motoras (relativas ao que as produziu ou quem as produziu) e as finais ( relativas á finalidade, Télos ou para quê; ou seja o que algo visa ou “tem por fim”).</p>
<p>Seguindo esta teoria das quatro das quatro causas podemos descrever as condições de existência tanto de entidades estáticas como em transformação. Quer isto dizer que assim temos meios para explorar o porquê das coisas. Até conhecermos o porquê das coisas não podemos dizer que as conhecemos verdadeiramente.</p>
<p>Analisemos um exemplo para que fique mais claro este método de análise. Uma mesa tem como causa material a madeira que a compõe, a sua causa formal (que diz respeito à forma) é a estrutura, ou seja o seu design; a sua causa eficiente é o trabalho de carpintaria que lhe deu origem e a sua causa final é servir de suporte para as refeições.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fccff620e-437a-49e3-a317-5012a93b19a0_746x522.png" alt=""><br>Destas causas destaco em particular a causa final que creio ser a que mais frequentemente induz confusão nas pessoas. De facto, o conhecimento da finalidade das coisas é fundamental inclusive para que possamos viver de forma harmoniosa com a realidade. É certo que nos podemos sentar numa mesa e jantar na cadeira, contudo automaticamente vamos perceber a desarmonia que advém dessa decisão.</p>
<p>Por vezes essa desarmonia não será tão evidente, no entanto não nos podemos esquecer que tudo o que existe tem um propósito, isto é orienta-se para um fim, cumprindo-nos agir em conformidade com a natureza das coisas para alcançar essa harmonia com a própria realidade.</p>
<p>São muitas as ocasiões na nossa vida que queremos de alguma forma revogar esta inclinação natural das coisas para os seus fins, que funciona também como objeto e fundamento para a lei natural. Vejamos por exemplo a forma como muitas vezes quando comemos, em vez ordenar a nossa ação pelo fim primeiro (alimentar-se) buscamos o prazer como fim primário ao qual os outros estão subordinados resultando em desordem, ou seja num apetite que não está em conformidade com o objetivo último da alimentação. Não quer isto dizer que não se possa ou deva sentir prazer ao comer, quer apenas dizer que o fim último para que existe esse ato não é o prazer, mas sim a subsistência do corpo. Com este exemplo conseguimos perceber que há uma ordenação natural nos fins para que se orientam as coisas, sendo que nessa ordenação há sempre fins primários e secundários. Sendo conscientes dessa hierarquia podemos, de uma forma mais ajustada adaptar as nossas atitudes á realidade, isto é aos preceitos da lei natural.</p>
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      <itunes:author><![CDATA[Tiago G]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>Segundo a filosofia Aristotélica quando analisamos uma coisa seja ela um objecto ou um fenómeno devemos ser capazes de observar as suas causas. Podemos dizer que analisar as causas nos permite compreender com outra densidade, a origem, o significado e a finalidade das coisas.</p>
<p>Atualmente, estamos vetados a um reducionismo materialista quando fazemos ciência, sendo portanto nota dominante a nossa fixação na matéria como o fator primordial do conhecimento dos objetos. Ao fixarmo-nos neste aspeto perdemos muitas outras dimensões que compõe as coisas.</p>
<p>Atendamos então a Aristóteles e a quatro causas que este autor identifica para as coisas e fenómenos.</p>
<p>Segundo o filósofo grego as causas dividem-se entre: materiais (relativas ao que algo é feito), as formais (relativas ao que algo é), as eficientes/motoras (relativas ao que as produziu ou quem as produziu) e as finais ( relativas á finalidade, Télos ou para quê; ou seja o que algo visa ou “tem por fim”).</p>
<p>Seguindo esta teoria das quatro das quatro causas podemos descrever as condições de existência tanto de entidades estáticas como em transformação. Quer isto dizer que assim temos meios para explorar o porquê das coisas. Até conhecermos o porquê das coisas não podemos dizer que as conhecemos verdadeiramente.</p>
<p>Analisemos um exemplo para que fique mais claro este método de análise. Uma mesa tem como causa material a madeira que a compõe, a sua causa formal (que diz respeito à forma) é a estrutura, ou seja o seu design; a sua causa eficiente é o trabalho de carpintaria que lhe deu origem e a sua causa final é servir de suporte para as refeições.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fccff620e-437a-49e3-a317-5012a93b19a0_746x522.png" alt=""><br>Destas causas destaco em particular a causa final que creio ser a que mais frequentemente induz confusão nas pessoas. De facto, o conhecimento da finalidade das coisas é fundamental inclusive para que possamos viver de forma harmoniosa com a realidade. É certo que nos podemos sentar numa mesa e jantar na cadeira, contudo automaticamente vamos perceber a desarmonia que advém dessa decisão.</p>
<p>Por vezes essa desarmonia não será tão evidente, no entanto não nos podemos esquecer que tudo o que existe tem um propósito, isto é orienta-se para um fim, cumprindo-nos agir em conformidade com a natureza das coisas para alcançar essa harmonia com a própria realidade.</p>
<p>São muitas as ocasiões na nossa vida que queremos de alguma forma revogar esta inclinação natural das coisas para os seus fins, que funciona também como objeto e fundamento para a lei natural. Vejamos por exemplo a forma como muitas vezes quando comemos, em vez ordenar a nossa ação pelo fim primeiro (alimentar-se) buscamos o prazer como fim primário ao qual os outros estão subordinados resultando em desordem, ou seja num apetite que não está em conformidade com o objetivo último da alimentação. Não quer isto dizer que não se possa ou deva sentir prazer ao comer, quer apenas dizer que o fim último para que existe esse ato não é o prazer, mas sim a subsistência do corpo. Com este exemplo conseguimos perceber que há uma ordenação natural nos fins para que se orientam as coisas, sendo que nessa ordenação há sempre fins primários e secundários. Sendo conscientes dessa hierarquia podemos, de uma forma mais ajustada adaptar as nossas atitudes á realidade, isto é aos preceitos da lei natural.</p>
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      <title><![CDATA[Dez Conselhos Que Gostava De Ter Recebido]]></title>
      <description><![CDATA[Uma análise retrospectiva
]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[Uma análise retrospectiva
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      <pubDate>Thu, 20 Feb 2025 23:17:29 GMT</pubDate>
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      <npub>npub1h5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqhlf2e2</npub>
      <dc:creator><![CDATA[Tiago G]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Quando estava prestes a entrar para a universidade sentia que a minha vida estava a desenrolar-se plenamente de acordo com os conselhos que havia recebido. Estava focado nos estudos e com a esperança de que esse foco me garantisse um bom trabalho. Com efeito, os estudos abriram algumas portas, no entanto, não posso deixar de assinalar que há outras decisões mais importantes a tomar e que não tiveram o mesmo protagonismo na minha vida.</p>
<p>Nessa mesma altura estava a iniciar um relacionamento amoroso, sem ter clara a finalidade desse namoro e o caminho que o mesmo deveria ter seguido. Talvez até me tivessem aconselhado sobre isso, contudo o foco estava mais no trabalho e em usufruir das oportunidades que se apresentaram nessa juventude confortável, na qual contei sempre com o apoio financeiro dos meus pais. Estava, como a maioria à minha volta, a viver uma vida libertina. Quer isto dizer uma vida sem grandes preocupações, a não ser estudar e fazer o suficiente para não reprovar a nenhuma disciplina. O resto é movido muito mais para emoção do que pela razão. Aquilo que considerava prazeroso era bom e o que não o era, era mau. Não tinha propriamente uma ideia clara do que queria criar a longo prazo e portanto estava muito mais focado no presente e em usufruir daquilo que podia no momento.</p>
<p>Fazendo uma análise retrospetiva de tudo, não culpo ninguém porque a informação existe para quem a procura, contudo noto aqui apenas o ambiente social e cultural que favorece determinadas decisões em detrimento de outras. O foco tem estado muito mais nos estudos, no trabalho e na fruição dos prazeres que se apresentam aos jovens sem que se pense demasiado no futuro.</p>
<p>Neste contexto, e vendo esta fase da vida com outro grau de distanciamento, deixo aqui dez conselhos que julgo essenciais.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1ab20422-2add-4f40-8f0a-dcc97b97b2e8_1024x1259.jpeg" alt=""><em>Rei Salomão - Gustav Dore</em> </p>
<p><em><strong>1.Focar na decisão mais importante: constituir ou não família.</strong></em> </p>
<p>A decisão de constituir ou não família é muito mais relevante para a nossa vida do que propriamente a de escolher uma profissão. Não estou necessariamente a fazer apologia de que todas as pessoas devem constituir família, convenhamos que muitos de nós não têm vocação para o mesmo (apesar de muitos ainda assim o fazerem), mas quer seja afirmativa ou negativa a resposta parece-me fundamental que nos concentremos nessa decisão. Muito mais do que qualquer profissão a família é onde naturalmente procuramos apoio, conforto e incentivo perante todas as vicissitudes da vida.</p>
<p>O facto de existirem famílias que não são fontes de amor para as pessoas em nada invalida que esta seja a organização social por excelência que aporta significado ás nossas vidas. Infelizmente, para muitas pessoas uma experiência pessoal mais difícil a este nível influi na forma como pensam sobre a possibilidade de criarem a sua própria família.</p>
<p>Algumas questões a ter em conta nesta ponderação:</p>
<p>Qual é o meu ideal de família ?</p>
<p>Qual o meu papel enquanto homem/mulher no seio da família?</p>
<p>Que tipo de parceiro devo procurar?</p>
<p>Desejo ter filhos ?</p>
<p>Podemos usar estas questões como pontos de partida para iniciar uma exploração da nossa vocação.</p>
<p><em><strong>2.Tomar decisões cedo em vez de protelar indefinidamente</strong></em> </p>
<p>Atualmente notamos que as pessoas constituem família cada vez mais tarde e que têm filhos cada vez mais tarde. É curioso notar que nos relacionamentos por vezes há alguma pressa para passar do conhecer a pessoa à intimidade sexual e não há pressa alguma para decidir se de facto é com aquela pessoa que queremos passar o resto dos nossos dias.</p>
<p>Este é apenas um aspecto no qual se nota uma progressiva detioração da capacidade para decidir. É-nos muitas vezes transmitida a ideia de que temos tempo e de que não há uma idade certa para tomar determinadas decisões. Estes discursos são cínicos pois é evidente que há fases que são mais propícias para dar determinados passos na nossa vida, daí que seja muito importante aprender a tomar decisões cedo.</p>
<p>Para tomar decisões sóbrias é fundamental saber-se exatamente aquilo que queremos. Se tudo isso está indefinido e não conseguimos postular uma ideia de futuro para nós será muito mais difícil tomar qualquer tipo de decisão importante. Um outro aspecto a ter em conta é o de que as principais decisões são guiadas pela razão, isto é os nossos sentimentos têm de estar ao serviço dos nossos valores e nunca o contrário.</p>
<p><em>3.Se não te imaginas a casar com a pessoa com quem estás, termina o relacionamento.</em> </p>
<p>Deixar a porta aberta num relacionamento de forma indefinida é algo que vai produzir instabilidade no longo prazo. É óbvio que para muitas pessoas o casamento é “apenas um papel” e portanto não vêm a real utilidade em se casar. Contudo, e de forma não surpreendente, notamos que os casais que têm na sua vida uma visão sobrenatural do casamento tendem a perdurar. Digamos que a cola que é usada para unir as pessoas é de um outro calibre, enquanto que a cola usada por aqueles que não têm Deus nas suas vidas está muito mais sujeita à volatilidade do tempo, dos apetites individuais e do relativismo.</p>
<p><em>4.Assume a responsabilidade pelos teus erros sem te deixar levar pelo vitimismo.</em> </p>
<p>A cultura atual, influenciada de forma determinante pela filosofia marxista, está permanentemente a postular divisões de poder na sociedade que pressupõe duas categorias principais a de oprimido e opressor. Esta ideologia apoiada no revisionismo histórico e numa pedagogia social falaciosa incute desde cedo na população a ideia de que em algum momento, tendo ou não pertencido a uma minoria, somos vítimas. Vemos vários exemplos e derivações desta doutrina quando tocamos em temas como o feminismo, o racismo e outros ismos que se focam apenas nesta divisão dicotómica oprimido e opressor.</p>
<p>Esta narrativa esquece que a hierarquia é uma organização natural que define aptidões diferenciadas e consequentemente vocações diferentes. Um outro aspecto que também é esquecido é o livre arbítrio, isto é, a ideia de que as pessoas têm poder de decisão e que muitas vezes podem ser coniventes e partes atuantes no sistema em que participam.</p>
<p>Quer isto dizer que individualmente cada um de nós, havendo discernimento, tem escolha e portanto é muito mais produtivo focar a nossa atenção nesse aspecto do que em qualquer tipo de desigualdade que possa existir. A igualdade de circunstâncias para todas as pessoas é uma utopia, a única igualdade que existe é da essência humana.</p>
<p>O caminho para escapar ao vitimismo será sempre o da responsabilidade individual e da gratidão apesar das circunstâncias adversas que possamos estar a viver.</p>
<p><em>5.Foca-te primeiro no que te é mais próximo antes do mundo</em></p>
<p>Por vezes, inspirados por uma soberba intelectual que agora é típica da juventude vemo-nos a fazer o papel de ativistas em determinadas causas, algumas nobres outras nem tanto. Acontece que este ativismo é frequentemente uma ato postiço, uma pose que usamos como forma de sinalizar a nossa virtude perante os nossos pares. Onde se percebem os pés de barro é quando notamos que diante das pessoas que nos são mais próximas não temos o mesmo zelo que apresentamos quando estamos a debater as grandes questões do mundo.</p>
<p>Há que ser zeloso com quem nos rodeia e os problemas mais urgentes para resolver, e aqueles em que a nossa intervenção é de facto mais necessária, são os que nos são mais próximos.</p>
<p><em>6.Dizer a verdade</em></p>
<p> A corrupção moral funciona de forma gradual, vai de menos a mais, começamos com uma coisa pequena até chegarmos a algo maior. Quando somos mais novos vamos experimentando a corrupção através do exercício da mentira em pequenas coisas e gradualmente vamos avançando para as coisas maiores. Alguns de nós resistem à mentira, facilmente se entende que não desejamos que os outros nos mintam no entanto, se o repetimos muitas vezes facilmente a banalizamos.</p>
<p>A mentira é uma tentativa de esquivar a responsabilidade pelas nossas ações ou opiniões, uma tentativa de fuga ás consequências. Contudo, importa perceber que inevitavelmente vamos sempre confrontar-nos com as consequências sejam quais forem as circunstâncias. Se não as experimentamos pela espada dos outros será pela nossa própria espada quando finalmente percebermos que não há harmonia entre o pensamento e a ação, que dizemos uma coisa mas fazemos outra, que a nossa identidade é também ela uma ficção. O exercício da verdade será a única via para nos aproximarmos de uma existência mais harmoniosa e autêntica, a única forma de estabelecer uma relação genuína com os outros.</p>
<p><em>7.Decisões inspiradas pela coragem e menos pelo medo</em></p>
<p>As nossas decisões têm frequentemente como força motriz o medo. O medo da rejeição impede-nos de ir falar com aquela pessoa de quem gostamos, o medo do juízo social impede-nos de proferir a nossa opinião em determinado assunto, o medo da morte leva-nos a ter comportamentos obsessivos com a nossa saúde; enfim, são muitas as situações em que as nossas decisões são pautadas pelo medo.</p>
<p>É importante que cada vez mais, o medo não seja o factor definidor da nossa decisão. A coragem, temperada pela prudência, devem ser os grandes arquitetos da nossa decisão. Aquilo que é bom no sentido mais profundo é o que devemos seguir, independentemente de sentirmos medo.</p>
<p><em>8.Ninguém é obrigado a gostar de nós, ninguém nos deve nada</em></p>
<p> O ressentimento e mágoa leva-nos por vezes a tratar os outros como se eles nos devessem algo, como se fosse impensável não nos reconhecerem como aprazíveis aos seus olhos ou justos. Isto é uma forma subtil do orgulho se expressar, porque mais uma vez nos colocamos na posição de vítima e assim, julgamos que os outros nos deveriam reconhecer como virtuosos de alguma forma.</p>
<p>Pois bem, apesar dos outros, tal como nós, terem deveres e poderem fazer menção honrosa da nossa existência não devemos esperar isso. Esperando isso, acabamos escravizados por essas expectativas porque continuamos à espera que gostem de nós. Desta forma distorcemos também o próprio conceito de amor, que é doar-se sem esperar em troca. Não é que os outros não o possam fazer, podem, o problema está na espera e na exigência.</p>
<p><em>9.Definir uma matriz moral objetiva</em> </p>
<p>Imbuídos de um espírito relativista estamos muitas vezes sujeitos a uma subjetividade enorme no que diz respeito aos nossos valores. O resultado disto é que inevitavelmente vamos ter uma definição menos clara do bem e do mal. Frequentemente vamos confundir o que é bom ou mau com os nossos desejos, alimentado pelos nossos vícios. Para termos uma visão mais clara da realidade é fundamental sairmos dessa visão subjetiva do valor e sermos capazes de procurar a verdadeira fonte das definições morais.</p>
<p>Aqui, há determinadas mensagens sociais que nos confundem os sentidos, nomeadamente aquelas que atestam que tudo são apenas “pontos de vista”, que não há uma “verdade” mas sim várias verdades, e que “neste tempo/cultura/país” a moralidade é outra. São tudo asserções que dificultam esta pesquisa pela verdade e definição moral universal. Neste campo, o ser humano só será capaz de ter mais estabilidade em termos psicológicos aderindo a um sistema de valores imutável, esta é a única forma de basear a sua identidade em princípios mais objetivos.</p>
<p><em>10.Encontrar um propósito maior para a vida</em></p>
<p> Santo Agostinho diz-nos o seguinte:</p>
<ul>
<li><p>Se não queres sofrer não ames, mas se não amas para que queres viver?</p>
<p>Santo Agostinho</p>
</li>
</ul>
<p>Por vezes na nossa vida procuramos esquivar-nos do sofrimento e inclusive somos vitimas de um certo ceticismo e embotamento afetivo. Vamos experimentando a traição e a frustração das nossas expectativas e isso vai endurecendo o nosso coração. Em resultado disso, muitas vezes tornamo-nos também mais egoístas, focados na mera satisfação das nossas necessidades e menos nas dos outros. No entanto, isto faz de nós infelizes porque não conseguimos deixar de amar. A solução é encontrar algo maior que nós mesmos para amar, entendendo sempre que a essência do amor é o sacrifício. Encontrar isso é simultaneamente definir um propósito para a vida e daí derivar um significado que nos sustenta até nos momentos mais difíceis.</p>
<p>Eventualmente poderei fazer alguma publicação específica expandindo um pouco mais alguns destes conselhos, uma vez que observo que muito mais poderia ter sido dito em cada um deles. Talvez venha a criar mais algumas publicações sobre este tema.</p>
]]></content:encoded>
      <itunes:author><![CDATA[Tiago G]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>Quando estava prestes a entrar para a universidade sentia que a minha vida estava a desenrolar-se plenamente de acordo com os conselhos que havia recebido. Estava focado nos estudos e com a esperança de que esse foco me garantisse um bom trabalho. Com efeito, os estudos abriram algumas portas, no entanto, não posso deixar de assinalar que há outras decisões mais importantes a tomar e que não tiveram o mesmo protagonismo na minha vida.</p>
<p>Nessa mesma altura estava a iniciar um relacionamento amoroso, sem ter clara a finalidade desse namoro e o caminho que o mesmo deveria ter seguido. Talvez até me tivessem aconselhado sobre isso, contudo o foco estava mais no trabalho e em usufruir das oportunidades que se apresentaram nessa juventude confortável, na qual contei sempre com o apoio financeiro dos meus pais. Estava, como a maioria à minha volta, a viver uma vida libertina. Quer isto dizer uma vida sem grandes preocupações, a não ser estudar e fazer o suficiente para não reprovar a nenhuma disciplina. O resto é movido muito mais para emoção do que pela razão. Aquilo que considerava prazeroso era bom e o que não o era, era mau. Não tinha propriamente uma ideia clara do que queria criar a longo prazo e portanto estava muito mais focado no presente e em usufruir daquilo que podia no momento.</p>
<p>Fazendo uma análise retrospetiva de tudo, não culpo ninguém porque a informação existe para quem a procura, contudo noto aqui apenas o ambiente social e cultural que favorece determinadas decisões em detrimento de outras. O foco tem estado muito mais nos estudos, no trabalho e na fruição dos prazeres que se apresentam aos jovens sem que se pense demasiado no futuro.</p>
<p>Neste contexto, e vendo esta fase da vida com outro grau de distanciamento, deixo aqui dez conselhos que julgo essenciais.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1ab20422-2add-4f40-8f0a-dcc97b97b2e8_1024x1259.jpeg" alt=""><em>Rei Salomão - Gustav Dore</em> </p>
<p><em><strong>1.Focar na decisão mais importante: constituir ou não família.</strong></em> </p>
<p>A decisão de constituir ou não família é muito mais relevante para a nossa vida do que propriamente a de escolher uma profissão. Não estou necessariamente a fazer apologia de que todas as pessoas devem constituir família, convenhamos que muitos de nós não têm vocação para o mesmo (apesar de muitos ainda assim o fazerem), mas quer seja afirmativa ou negativa a resposta parece-me fundamental que nos concentremos nessa decisão. Muito mais do que qualquer profissão a família é onde naturalmente procuramos apoio, conforto e incentivo perante todas as vicissitudes da vida.</p>
<p>O facto de existirem famílias que não são fontes de amor para as pessoas em nada invalida que esta seja a organização social por excelência que aporta significado ás nossas vidas. Infelizmente, para muitas pessoas uma experiência pessoal mais difícil a este nível influi na forma como pensam sobre a possibilidade de criarem a sua própria família.</p>
<p>Algumas questões a ter em conta nesta ponderação:</p>
<p>Qual é o meu ideal de família ?</p>
<p>Qual o meu papel enquanto homem/mulher no seio da família?</p>
<p>Que tipo de parceiro devo procurar?</p>
<p>Desejo ter filhos ?</p>
<p>Podemos usar estas questões como pontos de partida para iniciar uma exploração da nossa vocação.</p>
<p><em><strong>2.Tomar decisões cedo em vez de protelar indefinidamente</strong></em> </p>
<p>Atualmente notamos que as pessoas constituem família cada vez mais tarde e que têm filhos cada vez mais tarde. É curioso notar que nos relacionamentos por vezes há alguma pressa para passar do conhecer a pessoa à intimidade sexual e não há pressa alguma para decidir se de facto é com aquela pessoa que queremos passar o resto dos nossos dias.</p>
<p>Este é apenas um aspecto no qual se nota uma progressiva detioração da capacidade para decidir. É-nos muitas vezes transmitida a ideia de que temos tempo e de que não há uma idade certa para tomar determinadas decisões. Estes discursos são cínicos pois é evidente que há fases que são mais propícias para dar determinados passos na nossa vida, daí que seja muito importante aprender a tomar decisões cedo.</p>
<p>Para tomar decisões sóbrias é fundamental saber-se exatamente aquilo que queremos. Se tudo isso está indefinido e não conseguimos postular uma ideia de futuro para nós será muito mais difícil tomar qualquer tipo de decisão importante. Um outro aspecto a ter em conta é o de que as principais decisões são guiadas pela razão, isto é os nossos sentimentos têm de estar ao serviço dos nossos valores e nunca o contrário.</p>
<p><em>3.Se não te imaginas a casar com a pessoa com quem estás, termina o relacionamento.</em> </p>
<p>Deixar a porta aberta num relacionamento de forma indefinida é algo que vai produzir instabilidade no longo prazo. É óbvio que para muitas pessoas o casamento é “apenas um papel” e portanto não vêm a real utilidade em se casar. Contudo, e de forma não surpreendente, notamos que os casais que têm na sua vida uma visão sobrenatural do casamento tendem a perdurar. Digamos que a cola que é usada para unir as pessoas é de um outro calibre, enquanto que a cola usada por aqueles que não têm Deus nas suas vidas está muito mais sujeita à volatilidade do tempo, dos apetites individuais e do relativismo.</p>
<p><em>4.Assume a responsabilidade pelos teus erros sem te deixar levar pelo vitimismo.</em> </p>
<p>A cultura atual, influenciada de forma determinante pela filosofia marxista, está permanentemente a postular divisões de poder na sociedade que pressupõe duas categorias principais a de oprimido e opressor. Esta ideologia apoiada no revisionismo histórico e numa pedagogia social falaciosa incute desde cedo na população a ideia de que em algum momento, tendo ou não pertencido a uma minoria, somos vítimas. Vemos vários exemplos e derivações desta doutrina quando tocamos em temas como o feminismo, o racismo e outros ismos que se focam apenas nesta divisão dicotómica oprimido e opressor.</p>
<p>Esta narrativa esquece que a hierarquia é uma organização natural que define aptidões diferenciadas e consequentemente vocações diferentes. Um outro aspecto que também é esquecido é o livre arbítrio, isto é, a ideia de que as pessoas têm poder de decisão e que muitas vezes podem ser coniventes e partes atuantes no sistema em que participam.</p>
<p>Quer isto dizer que individualmente cada um de nós, havendo discernimento, tem escolha e portanto é muito mais produtivo focar a nossa atenção nesse aspecto do que em qualquer tipo de desigualdade que possa existir. A igualdade de circunstâncias para todas as pessoas é uma utopia, a única igualdade que existe é da essência humana.</p>
<p>O caminho para escapar ao vitimismo será sempre o da responsabilidade individual e da gratidão apesar das circunstâncias adversas que possamos estar a viver.</p>
<p><em>5.Foca-te primeiro no que te é mais próximo antes do mundo</em></p>
<p>Por vezes, inspirados por uma soberba intelectual que agora é típica da juventude vemo-nos a fazer o papel de ativistas em determinadas causas, algumas nobres outras nem tanto. Acontece que este ativismo é frequentemente uma ato postiço, uma pose que usamos como forma de sinalizar a nossa virtude perante os nossos pares. Onde se percebem os pés de barro é quando notamos que diante das pessoas que nos são mais próximas não temos o mesmo zelo que apresentamos quando estamos a debater as grandes questões do mundo.</p>
<p>Há que ser zeloso com quem nos rodeia e os problemas mais urgentes para resolver, e aqueles em que a nossa intervenção é de facto mais necessária, são os que nos são mais próximos.</p>
<p><em>6.Dizer a verdade</em></p>
<p> A corrupção moral funciona de forma gradual, vai de menos a mais, começamos com uma coisa pequena até chegarmos a algo maior. Quando somos mais novos vamos experimentando a corrupção através do exercício da mentira em pequenas coisas e gradualmente vamos avançando para as coisas maiores. Alguns de nós resistem à mentira, facilmente se entende que não desejamos que os outros nos mintam no entanto, se o repetimos muitas vezes facilmente a banalizamos.</p>
<p>A mentira é uma tentativa de esquivar a responsabilidade pelas nossas ações ou opiniões, uma tentativa de fuga ás consequências. Contudo, importa perceber que inevitavelmente vamos sempre confrontar-nos com as consequências sejam quais forem as circunstâncias. Se não as experimentamos pela espada dos outros será pela nossa própria espada quando finalmente percebermos que não há harmonia entre o pensamento e a ação, que dizemos uma coisa mas fazemos outra, que a nossa identidade é também ela uma ficção. O exercício da verdade será a única via para nos aproximarmos de uma existência mais harmoniosa e autêntica, a única forma de estabelecer uma relação genuína com os outros.</p>
<p><em>7.Decisões inspiradas pela coragem e menos pelo medo</em></p>
<p>As nossas decisões têm frequentemente como força motriz o medo. O medo da rejeição impede-nos de ir falar com aquela pessoa de quem gostamos, o medo do juízo social impede-nos de proferir a nossa opinião em determinado assunto, o medo da morte leva-nos a ter comportamentos obsessivos com a nossa saúde; enfim, são muitas as situações em que as nossas decisões são pautadas pelo medo.</p>
<p>É importante que cada vez mais, o medo não seja o factor definidor da nossa decisão. A coragem, temperada pela prudência, devem ser os grandes arquitetos da nossa decisão. Aquilo que é bom no sentido mais profundo é o que devemos seguir, independentemente de sentirmos medo.</p>
<p><em>8.Ninguém é obrigado a gostar de nós, ninguém nos deve nada</em></p>
<p> O ressentimento e mágoa leva-nos por vezes a tratar os outros como se eles nos devessem algo, como se fosse impensável não nos reconhecerem como aprazíveis aos seus olhos ou justos. Isto é uma forma subtil do orgulho se expressar, porque mais uma vez nos colocamos na posição de vítima e assim, julgamos que os outros nos deveriam reconhecer como virtuosos de alguma forma.</p>
<p>Pois bem, apesar dos outros, tal como nós, terem deveres e poderem fazer menção honrosa da nossa existência não devemos esperar isso. Esperando isso, acabamos escravizados por essas expectativas porque continuamos à espera que gostem de nós. Desta forma distorcemos também o próprio conceito de amor, que é doar-se sem esperar em troca. Não é que os outros não o possam fazer, podem, o problema está na espera e na exigência.</p>
<p><em>9.Definir uma matriz moral objetiva</em> </p>
<p>Imbuídos de um espírito relativista estamos muitas vezes sujeitos a uma subjetividade enorme no que diz respeito aos nossos valores. O resultado disto é que inevitavelmente vamos ter uma definição menos clara do bem e do mal. Frequentemente vamos confundir o que é bom ou mau com os nossos desejos, alimentado pelos nossos vícios. Para termos uma visão mais clara da realidade é fundamental sairmos dessa visão subjetiva do valor e sermos capazes de procurar a verdadeira fonte das definições morais.</p>
<p>Aqui, há determinadas mensagens sociais que nos confundem os sentidos, nomeadamente aquelas que atestam que tudo são apenas “pontos de vista”, que não há uma “verdade” mas sim várias verdades, e que “neste tempo/cultura/país” a moralidade é outra. São tudo asserções que dificultam esta pesquisa pela verdade e definição moral universal. Neste campo, o ser humano só será capaz de ter mais estabilidade em termos psicológicos aderindo a um sistema de valores imutável, esta é a única forma de basear a sua identidade em princípios mais objetivos.</p>
<p><em>10.Encontrar um propósito maior para a vida</em></p>
<p> Santo Agostinho diz-nos o seguinte:</p>
<ul>
<li><p>Se não queres sofrer não ames, mas se não amas para que queres viver?</p>
<p>Santo Agostinho</p>
</li>
</ul>
<p>Por vezes na nossa vida procuramos esquivar-nos do sofrimento e inclusive somos vitimas de um certo ceticismo e embotamento afetivo. Vamos experimentando a traição e a frustração das nossas expectativas e isso vai endurecendo o nosso coração. Em resultado disso, muitas vezes tornamo-nos também mais egoístas, focados na mera satisfação das nossas necessidades e menos nas dos outros. No entanto, isto faz de nós infelizes porque não conseguimos deixar de amar. A solução é encontrar algo maior que nós mesmos para amar, entendendo sempre que a essência do amor é o sacrifício. Encontrar isso é simultaneamente definir um propósito para a vida e daí derivar um significado que nos sustenta até nos momentos mais difíceis.</p>
<p>Eventualmente poderei fazer alguma publicação específica expandindo um pouco mais alguns destes conselhos, uma vez que observo que muito mais poderia ter sido dito em cada um deles. Talvez venha a criar mais algumas publicações sobre este tema.</p>
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      </item>
      
      <item>
      <title><![CDATA[O que é o amor ?]]></title>
      <description><![CDATA[A perspetiva de Erich Fromm]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[A perspetiva de Erich Fromm]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Fri, 14 Feb 2025 12:10:11 GMT</pubDate>
      <link>https://compilados.npub.pro/post/o-que-o-amor-um497f/</link>
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      <category>psicologia</category>
      
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      <dc:creator><![CDATA[Tiago G]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Muitos livros foram escritos sobre o tema oferecendo perspetivas líricas, narrativas, psicológicas/filosóficas, religiosas, simbólicas e políticas. A resposta varia no seu significado consoante o paradigma teórico de análise. Reconhecendo esta multiplicidade de dimensões do conceito qualquer reflexão será sempre, inevitavelmente parcial, no entanto cumpre realizar-se dado que a importância do tema o exige. Muito se tem dito e muito mais se dirá precisamente porque este é um tema que convida à expressão de uma profunda intimidade universal.</p>
<p>O amor é, segundo Erich Fromm psicanalista alemão, uma decisão, um julgamento e uma promessa, além de um sentimento. Segundo o autor o amor requer paciência, disciplina, concentração, fé e, quanto a mim uma ideia fundamental de Fromm, a capacidade para transcender o nosso próximo narcisismo. Como seriamos capazes de amar sem ultrapassar o nosso narcisismo? Seríamos capazes do compromisso necessário para aceitar o sacrifício de não corresponder aos nossos desejos mais imediatos em prol da construção de um projeto para o futuro com outra pessoa? No nosso narcisismo reside frequentemente o nosso movimento em direção á gratificação imediata e à não aceitação do sacrifício inerente à construção de algo que desejavelmente será maior que nós. </p>
<p>Como nos diz um pergaminho da Psicologia Gestalt, corrente teórica que se dedica ao estudo da forma e da percepção, o todo é maior que a soma das partes. É precisamente neste ponto que está uma das principais forças centrípetas deste conceito, na hipótese de construir algo que melhora a nossa vida que acrescenta em significado, sendo esta a unidade base na qual psicologicamente se medem as coisas e os fenómenos. Fromm propõe ainda que o amor não será apenas a ligação ao objeto amado, mas também uma orientação perante a vida, dizendo: “ o amor é uma atitude, uma orientação de carácter que determina a ligação da pessoa ao mundo como um todo e não apenas a um objeto.” Sendo assim não será suspeito que neste conceito esteja a chave para operar profundas transformações no carácter e na vida dos Humanos, que a somar á construção da relação com o outro têm a construção de uma nova relação com o mundo.</p>
<p>O amor é uma dádiva na qual ao darmos podemos experienciar a nossa riqueza de carácter, a nossa força e o nosso poder. Podemos ver este conceito como um professor que nos ensina sobre a vida e sobre as relações. Ensina-nos humildade na medida em que aceitamos algo maior que nós, ensina disciplina porque requer um foco constante e diria até que nos pode ensinar o significado e peso do conceito de fé. Neste último ponto falo de fé porque o amor contempla a dúvida fundamental da rejeição do sacrifício feito em prol do amor, e a fé transcende essa dificuldade da dúvida. A fé parece salvar-nos da corrosão da dúvida e purificar as intenções da pessoa que ama. Ter fé é mais que desenvolver uma mera expectativa, é a construção da esperança interiormente mesmo que seja na face do improvável ou implausível. Assim sendo, amar parece-se em muito com uma experiência eminentemente religiosa na medida em que sacraliza a experiência da pessoa que ama e a vida, atribuindo contornos de divino e transcendental ao que, aos olhos que quem não ama, pode parecer trivial e normal.</p>
<p><img src="https://tvieiragoncalves.github.io/genesis/uploads/sacredheartbatoni-1.jpeg" alt="O que é o amor ?"><em>Sagrado coração de Jesus</em></p>
<p>Um amor maduro quer-se consciente da necessidade de amar. Fromm diz-nos que o amor maduro está em: “eu preciso de ti porque te amo” e não em “eu amo-te porque preciso de ti”. Esta inversão do sentido da frase parece fundamental para que o amor não seja confundido com uma forma de egoísmo. Aqui a necessidade do outro surge em função do amor que temos pelo outro, não sendo o amor consequência da necessidade que temos do outro. Amar maduramente é a aceitação do sacrifício diante da incerteza e da dor por vezes debilitante. Assim desenvolvemos a tolerância que nos permite crescer e desenraizar da perversidade do narcisismo cumprindo a nossa identidade na missão de amar.</p>
<p><img src="https://i.imgur.com/qSebLvB.jpg" alt=""></p>
]]></content:encoded>
      <itunes:author><![CDATA[Tiago G]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>Muitos livros foram escritos sobre o tema oferecendo perspetivas líricas, narrativas, psicológicas/filosóficas, religiosas, simbólicas e políticas. A resposta varia no seu significado consoante o paradigma teórico de análise. Reconhecendo esta multiplicidade de dimensões do conceito qualquer reflexão será sempre, inevitavelmente parcial, no entanto cumpre realizar-se dado que a importância do tema o exige. Muito se tem dito e muito mais se dirá precisamente porque este é um tema que convida à expressão de uma profunda intimidade universal.</p>
<p>O amor é, segundo Erich Fromm psicanalista alemão, uma decisão, um julgamento e uma promessa, além de um sentimento. Segundo o autor o amor requer paciência, disciplina, concentração, fé e, quanto a mim uma ideia fundamental de Fromm, a capacidade para transcender o nosso próximo narcisismo. Como seriamos capazes de amar sem ultrapassar o nosso narcisismo? Seríamos capazes do compromisso necessário para aceitar o sacrifício de não corresponder aos nossos desejos mais imediatos em prol da construção de um projeto para o futuro com outra pessoa? No nosso narcisismo reside frequentemente o nosso movimento em direção á gratificação imediata e à não aceitação do sacrifício inerente à construção de algo que desejavelmente será maior que nós. </p>
<p>Como nos diz um pergaminho da Psicologia Gestalt, corrente teórica que se dedica ao estudo da forma e da percepção, o todo é maior que a soma das partes. É precisamente neste ponto que está uma das principais forças centrípetas deste conceito, na hipótese de construir algo que melhora a nossa vida que acrescenta em significado, sendo esta a unidade base na qual psicologicamente se medem as coisas e os fenómenos. Fromm propõe ainda que o amor não será apenas a ligação ao objeto amado, mas também uma orientação perante a vida, dizendo: “ o amor é uma atitude, uma orientação de carácter que determina a ligação da pessoa ao mundo como um todo e não apenas a um objeto.” Sendo assim não será suspeito que neste conceito esteja a chave para operar profundas transformações no carácter e na vida dos Humanos, que a somar á construção da relação com o outro têm a construção de uma nova relação com o mundo.</p>
<p>O amor é uma dádiva na qual ao darmos podemos experienciar a nossa riqueza de carácter, a nossa força e o nosso poder. Podemos ver este conceito como um professor que nos ensina sobre a vida e sobre as relações. Ensina-nos humildade na medida em que aceitamos algo maior que nós, ensina disciplina porque requer um foco constante e diria até que nos pode ensinar o significado e peso do conceito de fé. Neste último ponto falo de fé porque o amor contempla a dúvida fundamental da rejeição do sacrifício feito em prol do amor, e a fé transcende essa dificuldade da dúvida. A fé parece salvar-nos da corrosão da dúvida e purificar as intenções da pessoa que ama. Ter fé é mais que desenvolver uma mera expectativa, é a construção da esperança interiormente mesmo que seja na face do improvável ou implausível. Assim sendo, amar parece-se em muito com uma experiência eminentemente religiosa na medida em que sacraliza a experiência da pessoa que ama e a vida, atribuindo contornos de divino e transcendental ao que, aos olhos que quem não ama, pode parecer trivial e normal.</p>
<p><img src="https://tvieiragoncalves.github.io/genesis/uploads/sacredheartbatoni-1.jpeg" alt="O que é o amor ?"><em>Sagrado coração de Jesus</em></p>
<p>Um amor maduro quer-se consciente da necessidade de amar. Fromm diz-nos que o amor maduro está em: “eu preciso de ti porque te amo” e não em “eu amo-te porque preciso de ti”. Esta inversão do sentido da frase parece fundamental para que o amor não seja confundido com uma forma de egoísmo. Aqui a necessidade do outro surge em função do amor que temos pelo outro, não sendo o amor consequência da necessidade que temos do outro. Amar maduramente é a aceitação do sacrifício diante da incerteza e da dor por vezes debilitante. Assim desenvolvemos a tolerância que nos permite crescer e desenraizar da perversidade do narcisismo cumprindo a nossa identidade na missão de amar.</p>
<p><img src="https://i.imgur.com/qSebLvB.jpg" alt=""></p>
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      </item>
      
      <item>
      <title><![CDATA[The Meaning of Work]]></title>
      <description><![CDATA[Seeking virtue through work
]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[Seeking virtue through work
]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Fri, 12 Jul 2024 09:22:44 GMT</pubDate>
      <link>https://compilados.npub.pro/post/the-meaning-of-work-f7n8g5/</link>
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      <category>psychology</category>
      
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      <dc:creator><![CDATA[Tiago G]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<blockquote>
<p><em>"By the sweat of your face you shall eat bread, till you return to the ground, for out of it you were taken; for you are dust, and to dust you shall return."</em><br>_ Genesis 3:19_</p>
</blockquote>
<p>Can man eat bread without the sweat of his face?<br>We have done everything to make life easier, using tools and inventing machines, thus maximizing our capacity to produce. Despite these prodigious improvements, Kierkegaard, a Danish philosopher from the 19th century, says the following:</p>
<blockquote>
<p><em>“So there I sat and smoked my cigarette until my mind began to think. You are advancing in age, getting old without having become anything or having any project. On the other hand, when we examine literature or life, we see names and figures of celebrities, valuable and acclaimed people for their deeds, the benefactors of the age who know how to benefit humanity by making life easier, some through railways, buses, and steamboats, others through the telegraph, others through brief and easy-to-understand publications about what is worth knowing, and finally the true benefactors of the age who by virtue of systematic thought make spiritual existence increasingly easier and yet more meaningful — and what am I doing?</em><br><em>Only one thing is missing [in our age], although it is not yet felt, difficulty is missing. For the love of humanity and despair regarding my strange proclamation of having achieved nothing nor succeeded in making anything easier, despite the genuine interest in those who make things easier, I finally understood that it was my task: to <strong>create difficulties everywhere.”</strong></em><br><em>Concluding Unscientific Postscript to Philosophical Fragments, published in 1846.</em><br><em>Søren Kierkegaard (pseudonym Johannes Climacus)</em></p>
</blockquote>
<p>This excerpt from a text by Kierkegaard comes as a punch in the stomach, alerting us to an inescapable reality: the need for sacrifice. No matter how seemingly easy life becomes, we still need sacrifice as a way to fulfill our purpose as human beings. Sacrifice, illustrated by difficulty in Kierkegaard's text, is what allows us to negotiate with existence itself and offer something in the present in the hope of obtaining something in the future. Sacrifice also allows us to know more deeply our limits and weaknesses and create an opportunity to transcend these limits.<br>Without sacrifice, there is no love, for sacrifice implies that we have the capacity to see beyond ourselves, beyond our most immediate selfish interest. Through sacrifice, we are therefore invited to renounce something with the purpose of offering it.</p>
<p><img src="https://blossom.primal.net/c479ea0b8a90cda77145d2b26a01f866ac8f9658f182964f78ced07ddb71474c.webp" alt=""></p>
<p>Angelus (painting) –  by Jean-François Millet shows two peasants praying, giving thanks for the harvest obtained through the sweat and effort of many days.</p>
<p> Since work is also a form of sacrifice, it is good to remember that this is an exercise we do with a useful end in view. Nature does not automatically satisfy all human needs, hence the need for work to meet them. Besides all this, work is also an antidote to some evils and a promoter of virtues. It allows us, for example, to combat idleness and laziness, while on the other hand, it allows us to enhance solidarity since we have obtained resources that we can now share.<br>This means that work creates a propitiatory atmosphere for the person because it develops their ethics and morals on various levels. It seems more important at this time to reflect on this because we often fall into the error of seeking the enjoyment of immediate pleasures, the promises of an easy life, forgetting these realities.<br>Not that having pleasure in itself evil, but this must always be subordinated to the values that organize our lives because obtaining pleasure is not the ultimate goal of life.<br>It is evident that not all jobs are the same, and some are more conducive to virtues than others, something to which we must pay careful attention, hence it makes sense to seek to make work subordinate to our values. For there is no good work that does not express these values.<br>Let us then use work as a springboard for our growth, and begin not to wish for an easy life, but rather to increasingly desire an honorable life in which we are not deceived by superficial gratuities.</p>
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      <itunes:author><![CDATA[Tiago G]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<blockquote>
<p><em>"By the sweat of your face you shall eat bread, till you return to the ground, for out of it you were taken; for you are dust, and to dust you shall return."</em><br>_ Genesis 3:19_</p>
</blockquote>
<p>Can man eat bread without the sweat of his face?<br>We have done everything to make life easier, using tools and inventing machines, thus maximizing our capacity to produce. Despite these prodigious improvements, Kierkegaard, a Danish philosopher from the 19th century, says the following:</p>
<blockquote>
<p><em>“So there I sat and smoked my cigarette until my mind began to think. You are advancing in age, getting old without having become anything or having any project. On the other hand, when we examine literature or life, we see names and figures of celebrities, valuable and acclaimed people for their deeds, the benefactors of the age who know how to benefit humanity by making life easier, some through railways, buses, and steamboats, others through the telegraph, others through brief and easy-to-understand publications about what is worth knowing, and finally the true benefactors of the age who by virtue of systematic thought make spiritual existence increasingly easier and yet more meaningful — and what am I doing?</em><br><em>Only one thing is missing [in our age], although it is not yet felt, difficulty is missing. For the love of humanity and despair regarding my strange proclamation of having achieved nothing nor succeeded in making anything easier, despite the genuine interest in those who make things easier, I finally understood that it was my task: to <strong>create difficulties everywhere.”</strong></em><br><em>Concluding Unscientific Postscript to Philosophical Fragments, published in 1846.</em><br><em>Søren Kierkegaard (pseudonym Johannes Climacus)</em></p>
</blockquote>
<p>This excerpt from a text by Kierkegaard comes as a punch in the stomach, alerting us to an inescapable reality: the need for sacrifice. No matter how seemingly easy life becomes, we still need sacrifice as a way to fulfill our purpose as human beings. Sacrifice, illustrated by difficulty in Kierkegaard's text, is what allows us to negotiate with existence itself and offer something in the present in the hope of obtaining something in the future. Sacrifice also allows us to know more deeply our limits and weaknesses and create an opportunity to transcend these limits.<br>Without sacrifice, there is no love, for sacrifice implies that we have the capacity to see beyond ourselves, beyond our most immediate selfish interest. Through sacrifice, we are therefore invited to renounce something with the purpose of offering it.</p>
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<p>Angelus (painting) –  by Jean-François Millet shows two peasants praying, giving thanks for the harvest obtained through the sweat and effort of many days.</p>
<p> Since work is also a form of sacrifice, it is good to remember that this is an exercise we do with a useful end in view. Nature does not automatically satisfy all human needs, hence the need for work to meet them. Besides all this, work is also an antidote to some evils and a promoter of virtues. It allows us, for example, to combat idleness and laziness, while on the other hand, it allows us to enhance solidarity since we have obtained resources that we can now share.<br>This means that work creates a propitiatory atmosphere for the person because it develops their ethics and morals on various levels. It seems more important at this time to reflect on this because we often fall into the error of seeking the enjoyment of immediate pleasures, the promises of an easy life, forgetting these realities.<br>Not that having pleasure in itself evil, but this must always be subordinated to the values that organize our lives because obtaining pleasure is not the ultimate goal of life.<br>It is evident that not all jobs are the same, and some are more conducive to virtues than others, something to which we must pay careful attention, hence it makes sense to seek to make work subordinate to our values. For there is no good work that does not express these values.<br>Let us then use work as a springboard for our growth, and begin not to wish for an easy life, but rather to increasingly desire an honorable life in which we are not deceived by superficial gratuities.</p>
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      <title><![CDATA[O Relativismo - A semente gnóstica e a destruição do valor objetivo]]></title>
      <description><![CDATA[Tower of babel]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[Tower of babel]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Tue, 09 Apr 2024 08:39:51 GMT</pubDate>
      <link>https://compilados.npub.pro/post/o-relativismo-a-semente-gn-stica-e-a-destrui-o-do-valor-objetivo-jmygny/</link>
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      <dc:creator><![CDATA[Tiago G]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>O pensamento modernista/progressista que predomina na sociedade actual adere de forma comprometida a uma tese filosófica que pretende redefinir a realidade, o relativismo. Segundo esta tese a realidade é definida de forma subjectiva, ou seja, está pendente das circunstâncias, pessoas, momento. e motivação. Assim a percepção é nada mais nada menos que a co-construção da realidade colocando o ser humano como uma espécie de Deus (Demiurgo), isto é como entidade criadora da realidade. Além dos problemas morais que esta hipótese levanta, há ainda problemas da ordem da racionalidade e da lógica que são incompatíveis com esta ideia. Uma ideia central que invalida fundamentalmente esta tese é a de que desta forma deixa de existir uma realidade objetiva. Neste caso cada indivíduo poderia avançar com a “sua” interpretação do real, independentemente de esta ser falsa ou verdadeira. O dogma do relativismo é a de que todos as leituras são válidas, portanto deixa de existir uma matriz unificadora, isto é deixa de existir dogma e sem dogma não há uma verdade, há apenas interpretações da realidade que estão sujeitas aos vícios e fragilidades de cada intérprete.</p>
<p>Se em Portugal cada pessoa tivesse a sua própria língua, a que inventou, tornar-se-ia impossível comunicar pois não teríamos as mesmas referências fonéticas, semânticas. e sintáticas. Tal como na torre de Babel não teríamos a capacidade de nos compreendermos mutuamente. É pois isto que se passa no relativismo. Nesta ideologia perdemos a narrativa agregadora que clarifica as finalidades comuns da nossa vida em sociedade, sem estas teremos cada vez mais pessoas desenraizadas com uma identidade volátil e em estado de permanente isolamento.</p>
<p>Talvez vivamos neste momento uma época sem precedentes neste sentido tal é a confusão que existe na definição concreta dos entes. Não me refiro apenas aos conceitos morais mas até outros conceitos como a definição de Homem e Mulher, e futuramente o próprio conceito de espécie humana, dado que, avançamos a passos largos para uma fusão entre o ser Humano e máquina com o advento. da integração da inteligência artificial no nosso próprio corpo, vide neuralink. A este respeito adverte C.S Lewis na obra a abolição do Homem: “a conquista do Homem da sua natureza desafiando os seus limites, é simultaneamente a expressão do poder exercido por alguns Homens sobre outros Homens com a natureza como instrumento”. Quando dominamos a técnica implementamos transformações fundamentais, podendo perder a noção e o limite do que é ser humano.</p>
<p>Tudo isto advém de uma ausência de uma matriz que nos dê objetividade de valor e finalidade concreta para a existência. Como objeto da análise coloco as seguintes perguntas: se tudo evolui como podemos definir qualquer tipo de finalidade ? Isto significa, se o ser humano está em permanente transformação assim como as suas circunstâncias aquilo que hoje é verdade, amanhã pode não ser. Colocaria também uma outra pergunta, o que é mais importante guardar e fixar na eternidade para que não esteja sujeito a este relativismo ?</p>
<p>Parece evidente que o relativismo culmina na auto-destruição, por ser precisamente ilógico e irracional. Infelizmente, e muitas vezes de forma inconsciente, acabamos por dar alento a esta tese quando nos vemos incapazes de sustentar a nossa vida numa matriz que estabelece os princpíos lógicos e operativos para uma perceção da realidade mais clara, mais próxima da verdade. C.S Lewis diz-nos que o facto de determinadas pessoas não verem cores não invalida que estas existam, portanto compete-nos afinar o nosso aparelho percetivo para que sejamos capazes de ver cores e procurar a matriz através da qual podemos encontrar a verdade sobre a realidade.</p>
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      <itunes:author><![CDATA[Tiago G]]></itunes:author>
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<p>Se em Portugal cada pessoa tivesse a sua própria língua, a que inventou, tornar-se-ia impossível comunicar pois não teríamos as mesmas referências fonéticas, semânticas. e sintáticas. Tal como na torre de Babel não teríamos a capacidade de nos compreendermos mutuamente. É pois isto que se passa no relativismo. Nesta ideologia perdemos a narrativa agregadora que clarifica as finalidades comuns da nossa vida em sociedade, sem estas teremos cada vez mais pessoas desenraizadas com uma identidade volátil e em estado de permanente isolamento.</p>
<p>Talvez vivamos neste momento uma época sem precedentes neste sentido tal é a confusão que existe na definição concreta dos entes. Não me refiro apenas aos conceitos morais mas até outros conceitos como a definição de Homem e Mulher, e futuramente o próprio conceito de espécie humana, dado que, avançamos a passos largos para uma fusão entre o ser Humano e máquina com o advento. da integração da inteligência artificial no nosso próprio corpo, vide neuralink. A este respeito adverte C.S Lewis na obra a abolição do Homem: “a conquista do Homem da sua natureza desafiando os seus limites, é simultaneamente a expressão do poder exercido por alguns Homens sobre outros Homens com a natureza como instrumento”. Quando dominamos a técnica implementamos transformações fundamentais, podendo perder a noção e o limite do que é ser humano.</p>
<p>Tudo isto advém de uma ausência de uma matriz que nos dê objetividade de valor e finalidade concreta para a existência. Como objeto da análise coloco as seguintes perguntas: se tudo evolui como podemos definir qualquer tipo de finalidade ? Isto significa, se o ser humano está em permanente transformação assim como as suas circunstâncias aquilo que hoje é verdade, amanhã pode não ser. Colocaria também uma outra pergunta, o que é mais importante guardar e fixar na eternidade para que não esteja sujeito a este relativismo ?</p>
<p>Parece evidente que o relativismo culmina na auto-destruição, por ser precisamente ilógico e irracional. Infelizmente, e muitas vezes de forma inconsciente, acabamos por dar alento a esta tese quando nos vemos incapazes de sustentar a nossa vida numa matriz que estabelece os princpíos lógicos e operativos para uma perceção da realidade mais clara, mais próxima da verdade. C.S Lewis diz-nos que o facto de determinadas pessoas não verem cores não invalida que estas existam, portanto compete-nos afinar o nosso aparelho percetivo para que sejamos capazes de ver cores e procurar a matriz através da qual podemos encontrar a verdade sobre a realidade.</p>
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